Ana Carolina fala sobre música, poesia e arte visual

Artista multimídia, a cantora Ana Carolina é a entrevistada da semana do site RockFeminino e fala sobre seus quadros, a música e a literatura. Confira a entrevista:

RockFeminino – Seu último disco “Ensaio de cores” tem um pouco de influência das artes visuais. Como é a Ana Carolina artista plástica, como começou esse interesse pela pintura? Você acredita que todo artista tem essa facilidade para transitar em todas as linguagens?

Ana Carolina – As artes em geral sempre me influenciaram, os processos são distintos, mas a entrega é a mesma. A pintura e a música para mim são manifestações de amor, de alegria, de inquietação. Eu me envolvo, me questiono, faço as pazes. É como uma relação de casamento. Nas duas formas de arte eu dou meu recado a quem estiver na mente, no coração, na plateia ou em uma exposição. Tudo é arte e forma de expressão. Cada artista tem seu método, suas linguagens.

RF – Ser mulher, compositora e musicista no Brasil é difícil? Pois percebemos que há uma fácil aceitação de intérpretes, isso que vem da era do rádio e continuou com a MPB, enquanto as compositoras e musicistas ainda têm presença tímida na mídia.

Ana – Ser mulher na música é como ser mulher em qualquer outra profissão, é duro. O Brasil tem grandes intérpretes e compositoras, poderia listar por horas, temos grandes exemplos. O que importa é a música e a reação que ela provoca no coração das pessoas, é ela que me guia e agradeço por trabalhar com notas, palavras, emoções. Música não é uma competição, é expressão.

RF – Se tivesse que escolher apenas um, qual seria: “Ana Carolina”, “Ana Rita Joana Iracema e Carolina”, “Estampado”, “Dois Quartos”, “N9ve” ou “Ensaio de cores”?

Ana – Para uma mãe é praticamente impossível apontar o filho predileto, sou parte de todos e todos, parte de mim (risos).

RF – Uma de suas músicas que mais tocaram nas rádios foi a versão para a música de Gianluca Grignani (La mia storia tra le dita), que chegou a tocar no Brasil em 1996 como trilha sonora da novela Vira Lata. José Augusto chegou a fazer uma versão dela e você a retomou em 2002 com outra letra. Como foi a ideia de fazer uma outra versão dessa música que é de um cantor não tão conhecido no país?

Ana – Como disse, eu me guio pela música, como ela me toca, me provoca. Ao longo da carreira tive oportunidade de trabalhar com grandes canções, essa música me toucou e decidi gravar.

RF – Você tem uma boa extensão vocal e uma respiração perfeita, foram muitos anos de estudo de canto ou alguma outra receita?

Ana – O respirar é que é perfeito, temos que respirar perfeitamente (risos). Canto há muitos anos e sigo cantando, a receita é não parar.

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